Mostrando postagens com marcador ciência sem fronteiras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ciência sem fronteiras. Mostrar todas as postagens

domingo, 26 de janeiro de 2014

Architecture School

Y'alright?

Eu estava planejando esse post pra mais tarde mas como algumas pessoas pediram pra saber um pouco mais sobre a Escola de Arquitetura Britânica, aqui vai!

Antes de vir pra cá eu já tinha feito um post falando um pouco sobre as matérias que cursaria aqui e tudo mais, mas nesse vou ser mais específico sobre as matérias, minhas impressões do curso e o que aprendi até agora. É interessante que comecei meu segundo semestre essa semana, então posso dar um insight sobre como vai ser também :)

No primeiro semestre (Setembro - Dezembro) eu tive três matérias, aqui chamadas de modules. Duas matérias teóricas (Tech e Context) e uma matéria de projeto (Studio).

1) Contextual Studies

Bem, essa matéria foi a mais teórica e mais parecida com o que eu tinha no Brasil. Fala sobre um pouco de tudo: teoria urbana, sociologia, história da arquitetura, etc. Foi tranquila! Duas horas por semana, tivemos aulas expositivas, fizemos um seminário sobre uma das teorias e um essay (dissertação) de duas mil palavras. No meu semestre atual nós temos uma professora diferente mas o esquema vai ser o mesmo - seminário e essay, só que vai ser mais puxado aparentemente, porque ela quer que a nossa estrutura de trabalho já seja meio que puxando pro terceiro ano daqui, que é a dissertação final deles (tipo o TCC). 

2) Architectural Technology

Esse módulo vai ser o mesmo durante os dois semestres, porque começamos semestre passado mas não tivemos avaliações nem nada, então continua nesse. É sobre tecnologias mesmo, nós vemos um pouco de: conforto ambiental, materiais, técninas construtivas, etc. Como é um módulo dividido em dois semestres, só temos aulas semana sim, semana não, super tranquilo! Uma vez que  não tivemos trabalhos no semestre passado, nesse nós vamos ter algumas avaliações - só não sei ainda quais, e parece que eles querem que a gente integre tudo com o projeto que desenvolvermos em Studio, tipo uma conexão entre as matérias. 

3) Architectural Design

O bendito Studio. Essa é a matéria com maior número de créditos... São duas vezes por semana, cada dia entre 10am e 5pm, então é bastante exaustivo. Uma matéria de projeto, mas que envolve um pouco de teoria, maquetes, design e tudo mais. Eu tinha que entregar coisa toda semana no semestre passado! Nós tivemos diferentes etapas do mesmo projeto durante o semestre. Nosso estudo de caso foi numa cidade na costa noroeste da Inglaterra, Blackpool. Primeiro fizemos uma análise do sítio em grupo, análise individual, crítica e depois começou a parte de projeto. 

Eu chegando na faculdade toda segunda de entrega

O curso de BA Architecture aqui é muito mais artístico do que o meu curso de Arquitetura e Urbanismo do Brasil! Acho que isso se deve ao fato de que "Arquitetura" é divida em vários cursos aqui: Interior Architecture (foco em design e interiores), Landscape Architecture (voltado pro paisagismo), Architectural Technology (tecnologias, estrutura, materiais, etc) e Architecture (projeto, conceito, modelos, etc). 

Tudo que a gente aprende num só curso em cinco anos, eles têm em diferentes cursos de três anos... As matérias são muito mais aplicadas. O que sobrou pra Architecture (meu curso) foi o lado criativo do projeto arquitetônico - a ideia, o desenvolvimento da ideia, o conceito, etc. Aqui eu não fiz planta-corte-fachada. Eu fiz análises, croquis, pinturas, maquetes, montagens, fotografias. Os meus tutores criticavam fortemente a 'starchitecture' - aqueles prédios 'forma-pela-forma' fora de contexto que caem de paraquedas no meio do terreno. Eles insistiam na ideia de que 'o contexto [do terreno] faz a arquitetura, não é a arquitetura que se encaixa no contexto', ou algo traduzido nesse sentido. Nossa, falando assim até parece que dominei o assunto, mas até eu entender que era isso que eles queriam e não uma planta baixa, foi foda! Cheguei aqui com aquela metodologia de projeto pronta na cabeça, aquela mesmo pensamento dentro da caixa que a escola de arquitetura brasileira vem mantendo desde o modernismo e que ainda não conseguiu se desfazer. Foi como se eles pegassem meus dois anos e meio de ensino de projeto e falassem "não é assim, é de outro jeito", e foi nesse sentido que me referi quando disse que tive problemas pra adaptar ao curso. 

Quando finalmente entendi o objetivo do Studio

Eu não toquei no Cad desde que cheguei aqui. Nem no Sketch, nem Revit, nem nada. Esses programas são mais usados no curso de Architectural Technology, onde eles tem aula de BIM. Eu usei trabalho manual - maquete, desenho, foto, pintura - e programas de design (InDesign, Illustrator, Photoshop) pra fazer montagens de fotos e pranchas. 

Sem planta? Sem corte de escada? Sem elevação?

Enfim, tivemos vários trabalhos durante o semestre e toda semana tinham os tutorials. Todos traziam seus trabalhos da semana, penduravam na parede e os tutores iam de trabalho em trabalho, daí você tinha que apresentar sua ideia (sozinho, na frente de todo mundo... em inglês) e eles te dariam feedback - onde você acertou, o que foi errado, o que consertar e etc. - e você anotaria tudo isso e pronto. Você não entregava o trabalho, não tinha nota. No final do semestre você entregaria um portfolio, contendo todos os trabalhos desenvolvidos no semestre mas agora corrigidos, com as dicas que você recebeu no feedback. Aí então, eles te dão uma nota pelo semestre.

Entregando o portfolio

Eu comentei um pouco sobre o Studio nesse post e como nós tivemos uma apresentaçõs dos tutores e depois escolhemos em qual estúdio queremos trabalhar. No semestre passado peguei uma dupla de tutores bem exigentes, mas nesse semestre tivemos que trocar (thank God!) e eu escolhi um cara novo, um arquiteto que trabalha em Londres e vai tocar o nosso estúdio sozinho! O cara parece super estrelinha e tou empolgado :)

Novo tutor!

Estrutura física

A estrutura da Leeds Metropolitan é muito boa! Temos uma biblioteca de cinco andares no nosso Campus, pra diferentes cursos, mas praticamente metade um andar é com livros de arquitetura e urbanismo. Além disso, o quarto andar é o laboratório de Cad, como eles chamam, com vários computadores fodas, Macs e PCs, contendo todos os programas de arquitetura e design. Ah, e tem também quatro plotters de GRAÇA nesse andar. Ou seja, você pode ir pra lá, fazer todos os seus trabalhos nos computadores e plotar ali, quantas vezes quiser. Nem preciso comentar que véspera de entrega é um caos e a fila da plotter é grande, mas arquitetura é assim em qualquer parte do mundo, eu acho. Além disso temos a maquetaria que é top! Altas máquinas desde simples aparelhos pra marcenaria até máquinas de corte a laser, corte de metal, etc. Tem também lugar pra trabalhar com gesso e etc. Enfim, eles te dão todas as ferramentas pra você trabalhar a sua criatividade, é só desenvolver. Isso sem contar o espaço do estúdio, com mesas de trabalho, mesas de desenho e tudo mais. Na biblioteca também você pode alugar câmeras profissionais, de foto ou vídeo, caso precise tirar fotos pra trabalho ou viagem de campo. 

Plotter de graça?

Estrutura do curso

Perguntaram sobre as matérias de cada ano. Em Architecture, são as mesmas matérias nos três anos (studio, context e tech), só que em cada ano com assuntos diferentes, é claro. Só no terceiro ano que eles tem uma matéria a mais, tipo TCC. Outra coisa que intriga as pessoas: terminar o curso em três anos?? Você não se forma arquiteto com três anos de curso. Tem que fazer mestrado. Pra ter o equivalente ao CAU que temos no Brasil - a permissão pra exercer, que aqui é o RIBA, você tem que ter sete anos de curso! Não sei muito bem como funciona, mas parece que os outros quatro anos são dois de mestrado e dois de estágio. 

That's all folks! Espero ter esclarecido a dúvida de todos, matado a curiosidade de outros. O post ficou imenso, mas tentei resumir tudo que podia falar sobre meu curso aqui. Posso ter esquecido algo, mas qualquer dúvida me perguntem. Até mais!

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Ciência sem Fronteiras II

E ai raça!

Prometi faz tempo que faria mais posts sobre o Ciência sem Fronteiras, dando um passo-a-passo do processo e etc, mas tô pior que político brasileiro e só fiquei na promessa. Acontece que depois de muito procrastinar, tomei vergonha na cara e resolvi postar aqui pra ajudar meus futuros coleguinhas bolsistas. 

Eu nos últimos dias... por isso resolvi postar :)

No último post, eu falei sobre o processo de inscrição no programa, e aqui falarei das etapas seguintes. Após a inscrição no site do Ciência sem Fronteiras - etapa que já passou, uma vez que o prazo de inscrições já fechou, vocês têm que providenciar algumas coisas (algumas pessoas já fizeram tudo isso, porque esse post está meio atrasado em relação ao cronograma das chamadas atuais):

1) Proficiência


Todos os países pedem um comprovante de proficiência em língua estrangeira, seja inglês, francês ou sei lá. Como a maioria dos países aceitam os teste de proficiência em inglês, inclusive países que não são de língua inglesa (tipo Holanda, Hungria, Japão, etc), e como foram esses os testes que eu estudei, vou falar um pouco dos famosos TOEFL e IELTS. 
(Para saber qual teste cada país exige, dá uma conferida no edital... Eu sei que países como França e Alemanha, por exemplo, só aceitam proficiência na língua do próprio país, ou seja, francês e alemão).

Não tenho certeza, mas acho que todos os países aceitam a proficiência em inglês, aceitam ambos o TOEFL iBT (Test of English as a Foreign Language - Internet Based Test) e o IELTS (International English Language Testing System). A diferença principal entre eles é que um é aplicado pelo ETS, um órgão norte-americano e o outro pelo British Council, que é britânico. Ambos custam R$ 440,00 (sim, uma facada) e são aplicados em várias cidades do país... Tanto um quanto o outro são divididos em quatro bandas: Listening, Speaking, Writing e Reding. O TOEFL é um teste feito todo online, inclusive o teste oral, num computador do centro de aplicação do exame, e o IELTS é feito à mão (caneta e papel mesmo) e o teste oral é face-to-face com um examinador. O prazo de validade dos certificados de proficiência é de 2 (dois) anos. Eu não vou me prologar muito quanto aos testes, mas vocês podem achar todas as informações necessárias nos sites do TOEFL e do IELTS, inclusive preços, locais e etc... E na internet vocês também acham vários simulados e dicas dos testes, por isso: ESTUDEM! Não vou dizer que são testes fáceis... são trabalhosos e exigem no mínimo um nível intermediário de inglês, pra alcançar uma pontuação razoável que é exigida pelo Ciência sem Fronteiras. Não acreditem que é um é mais difícil que o outro, não é! Confie no seu inglês e faça aquele que você se sente mais confortável com o formato (online ou à mão).

O certificado de proficiência é exigido ainda no processo de inscrição do programa, então para àqueles que vão tentar nas chamadas seguintes: providenciem o quanto antes! Os resultado levam algum tempo para ficarem prontos, então não deixem pra fazer o teste na última semana das inscrições. Pra quem está atualmente no processo de seleção: vocês já devem ter enviado a proficiência no portal do CsF, mas provavelmente ainda precisarão do certificado pra inscrição na plataforma do seu país de escolha e também pra tirar o visto, então guardem com cuidado!

2) Homologação da IES


Esse é um processo importantíssimo e indispensável, mas algumas pessoas esquecem ou são mal-informadas quanto à isso, então prestem atenção. Você precisa ser homologado, ou seja, autorizado pela sua universidade de origem a participar do programa. As universidades brasileiras normalmente tem seu próprio edital interno, com alguns requisitos que incluem notas, reprovações e seu período no curso. Assim que você terminar sua inscrição no site do CsF, entre em contato com sua universidade e saiba mais sobre o processo de homologação... quando você enviar todos os documentos, você será homologado ou indeferido, e conforme for, seu processo segue em frente no CsF ou é cancelado. Por isso, corram atrás da sua homologação!

3) Inscrição na plataforma do seu país


Após você ter se inscrito, enviado a proficiência e ter sido homologado pela sua universidade, seu processo vai ser analisado pelo CNPq/CAPES. Eu também não sei como funciona essa seleção, mas aparentemente se você cumprir todos os requisitos e o número de inscritos for igual ou inferior ao número de vagas, você é aprovado nessa fase. Daí você foi "pré-selecionado" e pode se inscrever junto à um órgão do seu país de escolha! É aí que você provavelmente será enviado pra alguma universidade e tudo mais... A partir daqui eu não posso auxiliar todo mundo, porque realmente cada país tem suas próprias particularidades, então se você não está participando do edital do Reino Unido, boa sorte!

GOOD LUCK, MATES!

Agora, se você está participando do edital da Rainha, boas notícias: vai rolar mais post sobre a inscrição no UUK, a plataforma do Reino Unido! :)

Oh, really? Yes!

E, gente, faltam menos de 20 dias pra eu chegar na terra da família Real! Tá quase chegando... fiquem de olho no blog, logo teremos posts muito lindos e britânicos sobre a vida na Inglaterra! Até mais.